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IA em 2026 coloca média gerência no centro da transformação, mas preparo ainda é desafio
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IA em 2026 coloca média gerência no centro da transformação, mas preparo ainda é desafio

IA em 2026 coloca média gerência no centro da transformação, mas preparo ainda é desafio

Gestores intermediários devem assumir papel central na implementação de tecnologias avançadas nas empresas até 2026. Pressionados por resultados e, ao mesmo tempo, responsáveis por liderar a transformação digital, esses profissionais passam a conduzir a adoção da inteligência artificial (IA) nas empresas brasileiras, em meio a uma lacuna de competências que preocupa áreas de recursos humanos e especialistas em gestão.

Na prática, a média gerência, responsável por metas de vendas, atendimento e eficiência, também precisa traduzir projetos de IA em mudanças concretas nos processos. “A cobrança por resultados continua, mas as ferramentas, os processos e as habilidades necessárias para alcançá-los estão mudando”, resume um especialista em gestão de pessoas ouvido pela reportagem.

Entre a diretoria, que define a estratégia tecnológica, e as equipes que lidam diretamente com clientes e operações, esses gestores precisam decidir onde a IA faz sentido, como reorganizar tarefas e em quais situações a supervisão humana é indispensável. “A média gerência passou a enfrentar uma responsabilidade adicional: conduzir a adoção da inteligência artificial sem comprometer as entregas”, afirma o mesmo especialista.

Setores com forte uso de dados e atividades repetitivas, como atendimento, finanças, operações e logística, estão entre os primeiros a sentir os efeitos da mudança. Ferramentas de automação assumem partes dos fluxos de trabalho, relatórios passam a ser produzidos por sistemas e análises recebem apoio de algoritmos. Cabe ao gestor, nesse cenário, garantir a qualidade das entregas, o uso ético das informações e o alinhamento com as metas do negócio.

Embora a transformação avance, levantamentos recentes mostram um descompasso entre as expectativas das empresas e o preparo atual da média gerência. Em uma pesquisa divulgada ao mercado, apenas 8% dos líderes de recursos humanos disseram acreditar que seus gestores têm as competências necessárias para utilizar IA de maneira eficaz. Entre essas habilidades estão a leitura de dados, a validação de resultados gerados por sistemas e a tomada de decisões apoiadas em algoritmos.

Outro estudo internacional sobre tendências do trabalho apontou que 51% dos gestores esperam que o treinamento das equipes em inteligência artificial se torne uma responsabilidade importante nos próximos cinco anos. Além de aprender a utilizar as ferramentas, a média liderança deverá ensinar, orientar e acompanhar o uso adequado da tecnologia.

Pesquisas voltadas à educação corporativa reforçam esse movimento de requalificação. Do total de gestores entrevistados, 72% afirmaram estar investindo ativamente no desenvolvimento de novas competências, com destaque para análise de dados, automação de processos e uso de IA generativa aplicada aos negócios.

A adoção da inteligência artificial altera tarefas já consolidadas. Sistemas passam a realizar o primeiro atendimento ao cliente, elaborar rascunhos de relatórios, resumir reuniões, cruzar indicadores de vendas e prever demandas. Com isso, o trabalho do gerente deixa de se limitar ao acompanhamento de planilhas e passa a incluir a validação das entregas das ferramentas, a definição de parâmetros de qualidade e a análise de impactos relacionados a riscos e responsabilidades.

Especialistas em gestão de pessoas apontam que a introdução de novos sistemas pode gerar dúvidas nas equipes sobre o futuro das funções e sobre quem será responsável por eventuais falhas. Sem comunicação clara e espaço para treinamento, aumenta o risco de resistência interna e de comprometimento dos resultados dos projetos de IA.

As relações de trabalho também são afetadas. Com a automação de tarefas rotineiras, ganham espaço atividades analíticas, de relacionamento e de tomada de decisão, que exigem orientação mais próxima. Os gerentes precisam aprender como a tecnologia funciona e, ao mesmo tempo, distribuí-la entre os integrantes das equipes de forma justa e transparente.

Diante desse cenário, cresce a oferta e a procura por capacitações específicas para a média gerência, alinhadas às demandas dos negócios. Cursos de IA aplicada às empresas, análise de dados, ciência de dados para tomada de decisões e gestão de mudanças aparecem entre os principais caminhos de formação.

A orientação de especialistas é que a requalificação comece pela identificação dos processos mais afetados pela tecnologia em cada área, como atendimento, risco de crédito, cadeia de suprimentos e recursos humanos. A partir desse diagnóstico, os programas de treinamento devem combinar fundamentos técnicos com estudos de caso e simulações de decisões.

Projetos práticos são apontados como uma etapa decisiva do aprendizado. “O aprendizado ganha utilidade quando envolve projetos concretos, como testar uma automação, comparar resultados e definir procedimentos de revisão”, afirma um consultor em transformação digital. Nessas iniciativas, o gerente é convidado a desenhar fluxos, definir indicadores, monitorar erros do sistema e ajustar o papel de cada integrante da equipe.

Empresas que avançam nesse tipo de projeto costumam criar grupos-piloto em determinadas áreas, com acompanhamento próximo das equipes de tecnologia e recursos humanos, para depois ampliar as soluções que apresentaram resultados positivos. O formato permite que a média gerência experimente o uso da IA em escala controlada, reúna evidências de ganhos de produtividade e leve casos concretos à diretoria.

A transição para modelos de trabalho mais automatizados também exige o fortalecimento das chamadas habilidades comportamentais. Avaliar riscos, acompanhar indicadores e comunicar mudanças passam a fazer parte, na prática, das responsabilidades de quem lidera equipes que utilizam IA.

Na área de riscos, os gerentes precisam questionar a origem dos dados usados pelos sistemas, compreender as limitações das ferramentas, estabelecer revisões humanas em processos críticos e registrar decisões tomadas com apoio de algoritmos. Em muitas empresas, esse movimento ainda está no início, mas já mobiliza áreas de compliance e jurídicas.

Na comunicação com as equipes, um dos desafios é explicar por que determinadas tarefas estão sendo automatizadas, quais habilidades serão mais valorizadas e que tipo de suporte estará disponível durante a adaptação. Sem esse trabalho, aumenta a sensação de insegurança sobre o futuro e sobre os critérios de avaliação de desempenho.

Para especialistas em gestão, o gerente capaz de articular os aspectos técnicos e humanos da adoção da IA tende a ganhar protagonismo nas organizações. Já quem não se adapta pode perder espaço à medida que as empresas valorizam cada vez mais perfis híbridos, capazes de compreender tecnologia e dados e, simultaneamente, conduzir pessoas em contextos de mudança constante.

Fonte: Miraí Broadcast

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