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Falsos processos seletivos são usados em ataque que desvia US$ 6,3 bilhões da Binance
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Falsos processos seletivos são usados em ataque que desvia US$ 6,3 bilhões da Binance

Falsos processos seletivos são usados em ataque que desvia US$ 6,3 bilhões da Binance

Hackers ligados à Coreia do Norte teriam usado falsos processos seletivos para assumir o controle de computadores de funcionários da Binance e desviar US$ 6,3 bilhões em criptomoedas, o equivalente a cerca de R$ 34 bilhões. O caso é apontado como uma das maiores ofensivas cibernéticas já registradas contra o setor de ativos digitais.

O ataque começou em junho, quando um desenvolvedor da equipe de carteiras digitais da Binance baixou, em um computador corporativo, uma suposta ferramenta de inteligência artificial enviada como parte de um teste técnico para uma vaga de trabalho. O arquivo havia sido adulterado e instalou softwares maliciosos.

A corretora identificou o incidente, substituiu o dispositivo comprometido e alterou as credenciais de acesso. Ainda assim, os invasores conseguiram mapear a estrutura da equipe e identificar o papel de funcionários-chave, preparando uma ofensiva de maior escala.

Em setembro, um engenheiro de software da empresa foi alvo de outro processo seletivo falso, considerado mais sofisticado. A abordagem incluiu uma reunião virtual com uma pessoa que se apresentou como CEO de uma companhia. Durante a seleção, o profissional baixou e executou um repositório de código malicioso no computador de trabalho.

A partir desse momento, os criminosos passaram a controlar remotamente o equipamento e utilizar os acessos e permissões do funcionário como se fossem dele. Com isso, conseguiram avançar sobre sistemas estratégicos da Binance e alcançar carteiras de criptomoedas.

Segundo especialistas, os hackers conduzem operações de engenharia social direcionadas a profissionais com acesso privilegiado, especialmente das áreas de tecnologia e finanças. Para isso, criam perfis falsos em redes profissionais e se apresentam como recrutadores ou executivos interessados em contratar novos talentos.

“Os criminosos criam perfis falsos, principalmente no LinkedIn, se passando por recrutadores ou headhunters. Eles oferecem oportunidades de emprego, vagas exclusivas ou até a possibilidade de inclusão em bancos de talentos para futuras contratações”, explica Hiago Kim, presidente da Associação Brasileira de Segurança Cibernética.

Depois de conquistar a confiança da vítima, o falso recrutador envia um teste técnico, que pode ser uma planilha, um programa, um script ou um ambiente de desenvolvimento para download. Ao executar o arquivo no computador corporativo, o profissional instala, sem saber, um malware capaz de estabelecer uma conexão secreta com os criminosos.

“É como se a máquina virasse uma marionete. O criminoso passa a controlar remotamente aquele equipamento e consegue agir usando os acessos e permissões do próprio funcionário”, afirma Kim.

Quando a empresa analisa os registros do sistema, as ações aparentam ter sido realizadas pela conta do empregado, o que dificulta a identificação da origem externa do ataque.

O caso atingiu a Binance, considerada a maior corretora de criptomoedas do mundo, e expôs possíveis fragilidades em processos seletivos e nos mecanismos de segurança interna de empresas financeiras e de tecnologia. Entre os principais alvos estão desenvolvedores, engenheiros de software e profissionais com amplo acesso a sistemas críticos.

O FBI atribui a ofensiva digital a um grupo de hackers ligado à Coreia do Norte. O governo norte-coreano nega qualquer envolvimento. O episódio, no entanto, se soma a outras suspeitas recentes de que ataques cibernéticos bilionários estariam financiando operações do país asiático.

Para o mercado de criptomoedas, o impacto é financeiro e reputacional. Além da perda estimada em R$ 34 bilhões em ativos digitais, o ataque reforça a percepção de risco em um setor que já enfrenta volatilidade e desconfiança regulatória.

A investigação interna da Binance e de órgãos internacionais busca detalhar a cadeia de falhas. Especialistas ressaltam, porém, que a vítima de um golpe desse tipo não deve ser automaticamente responsabilizada.

De acordo com advogados consultados pelo setor, punições trabalhistas ou cobranças por prejuízos exigem provas de que houve descumprimento intencional de regras de segurança conhecidas pelo empregado. Entre os exemplos estão o uso deliberado do computador corporativo para instalar programas externos proibidos ou a desconsideração de alertas formais da empresa.

As companhias podem monitorar atividades realizadas em dispositivos corporativos, como sites acessados, programas instalados e arquivos baixados. A proteção efetiva, entretanto, depende da combinação de políticas claras de segurança, limitação de privilégios de acesso e treinamento contínuo contra golpes de engenharia social.

O episódio intensifica o debate sobre a forma como empresas de tecnologia e finanças conduzem processos seletivos e administram acessos internos. Entre as medidas em discussão estão a revisão de permissões amplas concedidas a poucos funcionários e a criação de ambientes isolados para testes técnicos, sem conexão com sistemas de produção.

Empresas de segurança e compliance relatam aumento na procura por soluções de detecção de acessos remotos não autorizados, revisão de políticas de contratação e programas de conscientização voltados a desenvolvedores, traders e equipes que operam sistemas sensíveis.

A recomendação para os profissionais é redobrar a cautela com contatos inesperados, principalmente quando houver solicitação para baixar arquivos ou executar códigos em máquinas de trabalho. Para o setor, a expectativa é que o caso acelere a criação de normas mais rígidas para processos seletivos e uso de tecnologia em áreas críticas, em resposta ao avanço de ataques baseados em engenharia social.

Fonte: Miraí Broadcast

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