menu
IA do NYT Cooking adapta receitas em segundos, mas provoca reação entre assinantes
PUBLICIDADE A-01
[CAMPANHA 20260901] A-01 - A3A - MONITORA PLUS - DESKTOP 970x90
[CAMPANHA 20260901] A-01 - A3A - MONITORA PLUS - MOBILE 320x100

IA do NYT Cooking adapta receitas em segundos, mas provoca reação entre assinantes

IA do NYT Cooking adapta receitas em segundos, mas provoca reação entre assinantes

O NYT Cooking lançou, em versão beta para o aplicativo de iOS, uma ferramenta de inteligência artificial capaz de adaptar receitas conforme os utensílios disponíveis, os ingredientes encontrados na despensa e as necessidades dietéticas dos usuários. O recurso foi apresentado como um assistente da equipe editorial e, embora tenha gerado críticas entre assinantes, apresentou bom desempenho nos primeiros testes práticos.

A função aparece no aplicativo por meio do campo “customize esta receita”, localizado acima da lista de ingredientes. Nele, o usuário pode solicitar a substituição de carne de porco por carne bovina, adequações para restrições alimentares, ajustes provocados pela falta de uma forma específica ou mudanças nas quantidades conforme os ingredientes disponíveis.

Para criar a versão adaptada, um modelo de linguagem de grande porte consulta a receita original, o guia interno de substituições de ingredientes, comentários de usuários e o conhecimento editorial acumulado pela equipe de culinária. A ferramenta gera uma variação da preparação sem reescrevê-la completamente.

As alterações são destacadas em vermelho-alaranjado ao longo do texto, incluindo o título e o passo a passo. O usuário pode alternar entre a receita original e a personalizada. O aplicativo também informa que a nova versão “não foi testada nem endossada” pelos autores da receita, mantendo a distinção entre o conteúdo produzido e aprovado pela redação e as sugestões geradas pela inteligência artificial.

Na prática, a ferramenta é voltada principalmente para substituições simples de ingredientes e equipamentos, ajustes para alergias ou dietas específicas, escalonamento de porções e conversões de medidas. Quando a solicitação é considerada viável — como adaptar um pão de banana para outro tipo de assadeira —, a IA pode redistribuir o tempo de forno e alterar quantidades de gordura, líquidos e outros componentes técnicos. Se a mudança descaracteriza o prato, o sistema recusa o pedido e oferece uma alternativa.

Camilla Velasquez, gerente-geral do NYT Cooking, afirmou que a equipe se esforçou para ensinar a ferramenta a recusar alterações que contrariem completamente a proposta da receita. Segundo ela, o sistema deve indicar quando uma mudança deixa de respeitar o espírito do prato. Em situações como a tentativa de transformar uma receita salgada em sobremesa, a IA faz um “desvio forçado” e direciona o usuário para uma preparação mais compatível.

A iniciativa amplia experiências anteriores do NYT Cooking com tecnologia, como a automatização do escalonamento de receitas — por exemplo, transformar uma preparação para quatro pessoas em uma versão para seis — e a conversão de medidas entre xícaras, colheres, gramas e mililitros, além da conversão de temperaturas de Fahrenheit para Celsius.

A novidade, porém, interfere diretamente na estrutura das receitas, uma área considerada sensível por veículos especializados. A criação de preparos confiáveis, saborosos e reproduzíveis em casa exige testes intensivos e uma equipe especializada. O NYT Cooking mantém cerca de 60 profissionais, entre editores, redatores, jornalistas de vídeo e outros funcionários ligados à culinária.

Durante o desenvolvimento da ferramenta, os editores de receitas participaram da definição das regras seguidas pela IA e avaliaram o comportamento do sistema diante de solicitações reais. O objetivo era preservar o tom e a clareza das instruções originais mesmo quando a estrutura do prato fosse modificada.

Relatos de testes indicaram bom desempenho técnico em algumas situações. Ao substituir coxas de frango com osso e pele por peito sem osso e sem pele, por exemplo, a IA reduziu o tempo de cozimento e acrescentou manteiga para compensar a perda de gordura, inserindo as mudanças nos pontos correspondentes do modo de preparo. Em outra receita, ajustou o corte e o tempo de forno de legumes adicionais, como abóbora, para que todos os ingredientes terminassem de assar simultaneamente.

Apesar dos cuidados, a recepção inicial foi negativa. A reportagem que anunciou o lançamento acumulou 172 comentários em poucos dias, quase todos críticos. Assinantes questionaram a necessidade do recurso, ameaçaram cancelar a assinatura e pediram uma opção para desativar a inteligência artificial. Com o aumento das manifestações, a área de comentários da publicação foi temporariamente desativada.

As reações refletem o desconforto de parte do público com a aplicação de inteligência artificial em atividades associadas à sensibilidade humana, como a cozinha. Também envolvem preocupações presentes no setor de mídia, especialmente o temor de que a automação reduza postos de trabalho ou enfraqueça a voz de colunistas e chefs acompanhados pelos leitores há anos.

Velasquez afirma que a ferramenta não foi criada para substituir profissionais. Segundo ela, a IA deve funcionar como um apoio pontual, e não como o principal interlocutor do usuário. A executiva resumiu que o público não deveria conversar com o sistema, destacando que o objetivo é resolver problemas específicos do preparo, e não criar um chatbot para diálogos livres sobre comida.

Questionada sobre possíveis impactos na equipe, Velasquez afirmou que o NYT Cooking está em fase de expansão, e não de cortes. Segundo ela, a empresa tem contratado mais do que nunca e não pretende publicar menos receitas. A mensagem aos assinantes é que a base de preparações testadas e a participação de jornalistas e cozinheiros continuam no centro do produto.

A iniciativa foi lançada em uma plataforma de grande alcance. De acordo com Jordan Cohen, diretor executivo de comunicações do The New York Times, o site e o aplicativo do NYT Cooking registraram 514 milhões de visitas em um único ano, enquanto o canal da marca no YouTube ultrapassa 1,4 milhão de inscritos. O alcance ajuda a explicar por que mudanças no produto, especialmente as relacionadas à inteligência artificial, geram ampla repercussão.

Para a redação, a nova função busca atender a uma demanda antiga dos leitores: adaptar receitas ao que está disponível em casa sem abrir mão do controle de qualidade. Ao manter as sugestões em uma camada visualmente separada do texto original, o NYT pretende preservar a biblioteca de receitas testadas e, ao mesmo tempo, oferecer variações personalizadas.

Os resultados iniciais são considerados pela equipe um indicativo de que a ferramenta pode ser aprimorada e ampliada para outras plataformas além do iOS. O sistema deverá continuar sendo ajustado com base no uso real, incluindo os pedidos mais frequentes, as situações em que funciona melhor e os casos em que ainda apresenta falhas técnicas ou interfere excessivamente na voz do autor da receita.

O equilíbrio entre tecnologia e tradição editorial no NYT Cooking é acompanhado por outros projetos de culinária digital. Em um momento em que empresas do setor avaliam como incorporar inteligência artificial sem diluir a identidade de suas marcas, o resultado dessa experiência poderá influenciar a adoção de ferramentas semelhantes em plataformas de receitas de outros países.

Fonte: Miraí Broadcast

PUBLICIDADE A-05
[CAMPANHA 20260901] A-05 - A3A - MONITORA PLUS - DESKTOP 970x90
[CAMPANHA 20260901] A-05 - A3A - MONITORA PLUS - MOBILE 320x100

Facebook

PUBLICIDADE A-06
[CAMPANHA 20260901] A-06 - XPL - AUTOMAÇÃO E LOCUÇÃO IA PARA RÁDIOS E LOJAS - DESKTOP 728x90
[CAMPANHA 20260901] A-06 - XPL - AUTOMAÇÃO E LOCUÇÃO IA PARA RÁDIOS E LOJAS - MOBILE 320x50