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Governo do Tocantins debate sociobiodiversidade e fortalece políticas para os povos indígenas em evento internacional

Governo do Tocantins debate sociobiodiversidade e fortalece políticas para os povos indígenas em evento internacional

Governo do Tocantins debate sociobiodiversidade e fortalece políticas para os povos indígenas em evento internacional

Com o objetivo de traçar estratégias sustentáveis que integrem conservação ambiental, desenvolvimento social e fortalecimento cultural dos territórios tradicionais, o Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), realizou, nessa segunda, 30, e na terça-feira, 31, o evento Diálogos Fundo Brasil-ONU na Reserva da Biosfera do Cerrado/TO: povos indígenas e sociobiodiversidade, reunindo indígenas de nove etnias, representantes da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e equipe técnica da Sepot.

A programação, realizada em Palmas e em Tocantínia, marcou o início das ações da Sepot em comemoração ao mês indígena, celebrado em abril. Nas oficinas, foram debatidos temas como sociobiodiversidade, convenções internacionais, governança territorial inclusiva e cadeias de valor sustentáveis.

Durante a abertura do evento, o titular da Sepot, Ercivaldo Xerente, destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento das políticas públicas construídas com participação direta das comunidades. “Este é um momento importante de diálogo e troca de experiências entre as lideranças indígenas e organismos internacionais. A parceria entre o Governo do Tocantins e a Unesco fortalece o protagonismo dos povos indígenas e contribui para o avanço das ações voltadas às comunidades do nosso estado, conforme orientação do governador Wanderlei Barbosa”, pontuou. 

Estiveram presentes no evento representantes das etnias Javaé, Krahô-Kanela, Karajá, Krahô, Karajá-Xambioá, Xerente, Apinajé, Guarani e Guajajara, que compartilharam experiências sobre seus territórios e práticas relacionadas à sociobiodiversidade e à Reserva da Biosfera do Cerrado.

“Esse diálogo direto com as comunidades, inclusive na Aldeia Funil, fortalece a construção coletiva das ações e aproxima as políticas públicas da realidade dos povos indígenas do Tocantins”, enfatizou o diretor de Proteção aos Povos Indígenas, da Sepot, Rogério Xerente.

A abertura foi realizada na segunda-feira, 30, no auditório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em Palmas, com a apresentação do planejamento do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável na Amazônia Legal – Eixo 4: Governança Territorial Inclusiva.

O oficial de projetos da Unesco no Brasil, Sérgio Monforte, ressaltou que o encontro possibilitou avanços no intercâmbio de conhecimentos entre comunidades indígenas e instituições internacionais. “Os diálogos interculturais realizados no Tocantins foram extremamente produtivos e contribuíram para ampliar a compreensão sobre o reconhecimento internacional da Reserva da Biosfera e o papel dos povos originários na valorização de suas práticas em âmbito global”, salientou. 

As atividades seguiram na Universidade Federal do Tocantins (UFT), com dinâmicas participativas voltadas ao reconhecimento territorial e ao protagonismo indígena na preservação ambiental e na construção de soluções sustentáveis. “Essa troca de experiências é fundamental para a valorização e a preservação da nossa cultura. Receber representantes da Unesco na aldeia fortalece o diálogo sobre nosso território”, evidenciou o estudante Amauri Xerente.

O encerramento ocorreu na Aldeia Funil, em Tocantínia, território do povo Xerente, onde os participantes foram recepcionados com apresentações culturais, incluindo dança tradicional e corrida de tora, prática cultural que simboliza força, resistência e trabalho coletivo.

A Aldeia Funil foi selecionada para receber um laboratório de informática com 10 computadores e acesso à internet. O laboratório será financiado por projeto que reúne o Fundo Brasil–ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, o Consórcio Interestadual, o governo federal e o governo do Canadá, que reconhece iniciativas da rede de povos originários da reserva da biosfera. A entrada do projeto na comunidade beneficiada foi possível com articulação da Sepot.

“O laboratório vai auxiliar estudantes e universitários da comunidade. Nossos alunos são alfabetizados primeiro na língua Akwê e depois aprendem o português, e esses equipamentos contribuem diretamente nesse processo”, evidenciou o cacique da Aldeia Funil, Elso Krêsu Xerente.

O Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia é uma iniciativa criada para apoiar ações voltadas ao desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal. O programa surgiu da parceria entre a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Unesco, o governo brasileiro e o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal. O plano trata dos esforços das instituições na construção de soluções para o futuro da Amazônia.

O projeto visa fortalecer um modelo de desenvolvimento que valorize a floresta em pé e reconheça o papel fundamental dos povos indígenas e das comunidades tradicionais na conservação ambiental, promovendo melhoria da qualidade de vida, ampliando oportunidades e reduzindo desigualdades históricas.

No Brasil, estados da Amazônia Legal foram contemplados com ações por meio de diálogos territoriais, oficinas e projetos. O cronograma das Nações Unidas segue até 2030.

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