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Do palco ao mercado de trabalho: Web Summit 2026 reunirá 12 robôs humanoides em Lisboa
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Do palco ao mercado de trabalho: Web Summit 2026 reunirá 12 robôs humanoides em Lisboa

Do palco ao mercado de trabalho: Web Summit 2026 reunirá 12 robôs humanoides em Lisboa

O Web Summit 2026 começa na próxima segunda-feira (9), em Lisboa, com 12 robôs humanoides no palco e uma programação voltada à nova fase da inteligência artificial (IA), marcada pela capacidade de executar tarefas no mundo real.

Empresas chinesas de robótica, como AgiBot e Galbot, apresentarão seus humanoides ao lado de palestrantes humanos. A demonstração pretende mostrar como essas máquinas podem atuar em funções atualmente desempenhadas por pessoas e participar de atividades em fábricas, escritórios, lojas e centros de desenvolvimento tecnológico.

A proposta do evento é evidenciar a transição de uma IA restrita às telas — usada para escrever textos, criar imagens e responder a comandos — para sistemas capazes de operar equipamentos, executar processos e participar da criação de novas ferramentas.

A mudança ocorre em um momento de cobrança por resultados concretos por parte de grandes empresas e investidores, após o entusiasmo inicial com os modelos generativos. Ao longo da semana, o foco deverá estar menos na interação com as máquinas e mais nos efeitos práticos da tecnologia sobre produtividade, custos e criação de negócios.

Um dos painéis previstos tem como título “The AI paradox: Smarter models, disappointing results” (“O paradoxo da IA: modelos mais inteligentes, resultados decepcionantes”, em tradução livre). A discussão abordará o contraste entre a sofisticação dos algoritmos e a percepção de executivos de que essas ferramentas ainda provocam mudanças limitadas na rotina das empresas.

Outro eixo do evento será o uso da IA no próprio desenvolvimento tecnológico. Além de apoiar engenheiros e programadores, novos sistemas vêm sendo utilizados para projetar produtos, escrever trechos de código e testar soluções, acelerando o ciclo de inovação. A discussão deverá incluir até que ponto essa automação pode modificar a forma como as empresas criam e lançam serviços.

A presença de AgiBot, Galbot e de outras empresas chinesas no palco principal também reforça o avanço do país em áreas como robótica, inteligência artificial e computação. A participação no Web Summit 2026 ocorre em meio a uma disputa cada vez mais equilibrada com o Vale do Silício, tradicional polo de inovação.

Ao apresentar robôs humanoides voltados a aplicações comerciais, as companhias chinesas buscam demonstrar avanços não apenas em pesquisa, mas também na entrega de soluções integradas, nas quais software e máquina atuam em conjunto. Esse movimento aumenta a pressão sobre empresas de outros mercados para acelerar seus planos de automação avançada.

A decisão de colocar robôs na posição de palestrantes vai além da curiosidade. Para especialistas, a iniciativa representa uma fronteira simbólica entre a fase em que o principal avanço da IA era conversar com usuários e outra em que a capacidade de agir passa a ser o principal parâmetro.

A transformação pode afetar diretamente o mercado de trabalho. Setores baseados em tarefas repetitivas ou de baixa complexidade podem registrar uma substituição mais rápida de funções por robôs físicos e sistemas inteligentes. Ao mesmo tempo, tende a crescer a demanda por profissionais capazes de projetar, supervisionar e integrar essas tecnologias aos processos empresariais.

No Brasil, essa tendência pode levar à reorganização de processos produtivos e de inovação, pressionando empresas a investir em automação mais sofisticada para manter a competitividade internacional. A adoção das tecnologias, porém, deverá depender de fatores como custos, regulamentação, infraestrutura e qualificação da mão de obra.

Durante a semana em Lisboa, empreendedores, investidores e executivos deverão confrontar o entusiasmo e o ceticismo em relação à nova fase da IA. Um dos principais desafios será distinguir demonstrações de impacto de aplicações que possam, de fato, ser incorporadas à rotina das empresas.

O CEO e cofundador da plataforma brasileira Share, que acompanha o evento, resumiu a questão que levará a Lisboa: “A pergunta que levo para Lisboa não é se os robôs vão substituir os palestrantes. Essa é a parte divertida da história. A questão realmente importante é o que acontece quando tecnologias que antes apenas respondiam começam também a trabalhar.”

A combinação de robôs humanoides no palco, debates sobre resultados concretos da IA e avanço das empresas chinesas indica que o Web Summit 2026 deverá funcionar como um termômetro da próxima etapa da revolução tecnológica: aquela em que as máquinas deixam de apenas conversar sobre o futuro e passam a participar diretamente de sua construção.

Fonte: Miraí Broadcast

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