Goiás registra aumento de acidentes com serpentes

Atendimento rápido é essencial

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) alertou a população sobre os riscos de acidentes com serpentes e reforçou a importância de medidas corretas de primeiros socorros. Em 2026, o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad já atendeu 170 vítimas de picadas de cobra.

Dados da unidade apontam que, dos 542 atendimentos por acidentes com animais peçonhentos registrados neste ano, 170 foram causados por serpentes. Desse total, 122 casos foram do tipo botrópico (jararaca), 26 crotálico (cascavel) e 17 envolveram espécies não peçonhentas.

A SES também monitora os registros em todo o estado. Entre janeiro e abril de 2026, foram notificadas 584 ocorrências, com quatro óbitos confirmados no período.

Como suporte imediato, a população pode acionar o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Goiás, que funciona 24 horas pelos telefones 0800 646 4350 e 0800 722 6001, para orientações em casos de acidentes com animais peçonhentos e intoxicações.

O encaminhamento para uma unidade de saúde deve ser feito o mais rápido possível. Segundo a infectologista Thaís Safatle, diretora técnica do HDT, ainda há muitos mitos sobre o atendimento inicial.

“Comprimir ou tentar sugar o veneno está errado. O correto é lavar o local com água e sabão e buscar atendimento médico imediatamente”, orientou.

De acordo com a especialista, o tempo entre o acidente e o atendimento é determinante para a recuperação. A avaliação precoce e a aplicação do soro antiveneno, quando indicada, são fundamentais para reduzir complicações e evitar mortes.

O primeiro atendimento pode ser realizado em qualquer unidade de saúde, que fará os cuidados iniciais e, se necessário, o encaminhamento para serviços de referência, como o próprio HDT.

Sintomas 

Em Goiás, os acidentes mais comuns envolvem jararacas e cascavéis, que provocam sintomas distintos. No caso da jararaca, são frequentes dor intensa, inchaço e sangramentos no local da picada. Já a cascavel pode causar alterações neurológicas, como visão turva, queda da pálpebra e dificuldade respiratória.

O tratamento utiliza soros específicos para cada tipo de veneno, além de versões que atendem a mais de uma espécie.

Morador de Goiânia, Ramon dos Santos Nascimento está internado há 15 dias após ser picado por uma jararaca durante uma pescaria. Ele relata que sentiu dor intensa e queimação logo após o acidente. Após receber o soro, segue em recuperação.

O aumento de casos também chama atenção após a morte de um jovem de 27 anos em Anápolis, vítima de picada de cascavel enquanto trabalhava em uma chácara.

Para prevenir acidentes, a recomendação é utilizar botas de cano alto ou perneiras ao circular em áreas com vegetação densa ou entulho, além de evitar colocar as mãos em locais sem visibilidade.

 

 

SES-GO