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Berço das águas, Cerrado tem recursos hídricos pressionados pelo desmatamento

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O Cerrado é responsável pelos recursos hídricos superficiais de 8 das 12 grandes regiões hidrográficas brasileiras. Destacam-se nessa lista as regiões das bacias do Parnaíba, São Francisco, Tocantins/Araguaia, Paraná e Paraguai, onde também se encontram muitas das principais hidrelétricas brasileiras.

 

Apesar de o Cerrado ser considerado uma grande caixa d’água, onde estão localizados inclusive três grandes aquíferos – Guarani, Bambuí e Urucuia — não se pode apenas ir tirando água da torneira, sem qualquer retorno, porque senão “essa grande caixa vai secar”, alerta o professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e membro do Instituto Trópico Subúmido, Agostinho Carneiro Campos.

 

Campos salienta que, quando há desmatamento próximo, ou até dentro de uma nascente, o solo fica exposto, passa a receber uma radiação solar muito maior, o que faz com que a evaporação aconteça muito mais rápido, abaixando o lençol freático, “o que compromete todo o processo da nascente”, dando margens a uma consequente crise hídrica.

 

O potencial de proteção de vegetação nativa é muito superior ao que se imagina. Estudos já demonstram que as raízes das árvores típicas do Cerrado são responsáveis por transportar água das chuvas para uma boa profundidade. Em épocas de escassez, essas “florestas invertidas” passam a liberar essa água para o subsolo ou para os rios.

 

No Distrito Federal, essa compreensão levou à criação, ainda em 1968, da Estação Ecológica de Águas Emendadas, uma área de proteção integral, onde não é permitida a ocupação humana. As Águas Emendadas têm esse nome porque contribuem para a formação de duas das maiores bacias hidrográficas da América do Sul: a Platina, ao sul, e a Amazônica, ao norte. 

 

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) demonstram que dos dois milhões de quilômetros quadrados que congregam o bioma, quase 51% já foram convertidos. Enquanto em fevereiro de 2024 houve redução de quase 30% no desmatamento da Amazônia, na comparação com o mesmo período de 2023, no Cerrado houve aumento de 18,5%, o que é bastante preocupante, segundo o coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e demais Biomas do Inpe, Claudio Almeida.

 

Esse ecossistema, que domina quase um quarto do território nacional, tem apenas 20% de sua área legalmente protegida, percentual muito inferior ao da Amazônia, por exemplo, onde em 50% da área não se pode mexer. E ao devastar a vegetação nativa, não há como dissociar os efeitos consequentes nas fontes hídricas.

 

 “Alguns pesquisadores mostram que já existe uma redução no volume de água dos rios que saem do Cerrado. Esses rios estão diminuindo sua capacidade por conta do desmatamento. Então você começa a impactar seriamente a produção de água, impactar a agricultura, a pecuária, o abastecimento humano, geração de energia. Tudo isso depende dessa água que vem do Cerrado”, expõe o coordenador do Inpe.

 

Com pequenas porções no leste da Bolívia e nordeste do Paraguai, no Brasil o bioma esparrama-se no Planalto central e consegue congregar estados de todas as regiões: Centro-Oeste (DF, GO, MT e MS), Norte (TO, RO, PA, e enclaves do AM, RR e AM), Nordeste (BA, CE, MA e PI), Sudeste (SP e MG) e no Sul (PR).

 

Representante de Goiás, o senador Jorge Kajuru (PSB-GO) afirma que o bioma até hoje não teve reconhecida a devida importância por parte do poder público e da própria sociedade. O parlamentar diz ser necessário achar um equilíbrio entre a agropecuária e a preservação ambiental, a partir de modelos de plantio e pecuária que sejam menos extensivos e respeitem os ciclos naturais da terra. “Isso se deu pelo fato de as características do nosso bioma não serem tão explícitas a olho nu como é o caso do bioma amazônico”, afirma Kajuru.

Além da redução do volume hídrico, outro grande problema assombra o Cerrado: a contaminação das águas pelo considerável volume de agrotóxicos utilizados na produção, especialmente de grãos. Somente na safra 2020/2021, a área do bioma respondeu por 52% do plantio de soja no país.

 

“Nós temos ainda aquela ideia que temos água em abundância, mas dessa água que nós temos, quase toda está poluída”, completa o professor Agostinho Campos.

 

Com informações da Agência Senado

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