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Um ano após desastre no lixão de Padre Bernardo, emergência é controlada e fechamento definitivo avança; multas chegam a R$ 56 milhões
Um ano após desastre no lixão de Padre Bernardo, emergência é controlada e fechamento definitivo avança; multas chegam a R$ 56 milhões

Um ano após o desabamento de 42 mil metros cúbicos de resíduos no lixão privado da empresa Ouro Verde, em Padre Bernardo, a recuperação da área entra em nova fase. Com a situação emergencial sob controle, os esforços passam a se concentrar no encerramento definitivo do empreendimento e na implementação de ações de recuperação de longo prazo da área degradada.

O colapso ocorreu em 18 de junho de 2025, no interior da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Descoberto, e provocou contaminação ambiental que mobilizou uma ampla operação com órgãos ambientais, equipes de emergência e instituições de fiscalização. O lixão operava por decisão judicial.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) foi acionada nas primeiras horas após o acidente e instituiu um gabinete de crise com a participação da Defesa Civil, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Corpo de Bombeiros, de órgãos de saneamento e de autoridades de saúde. A prioridade foi impedir que a contaminação atingisse o Rio Descoberto, responsável pelo abastecimento de milhares de famílias da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride).

Moradores foram orientados por agentes da Defesa Civil e por mensagens de celular a interromper o uso da água do córrego Santa Bárbara e do Rio do Sal em atividades como agricultura, piscicultura e avicultura. A restrição permanece em vigor. Análises de técnicos da Semad confirmaram a presença de chorume na água, com indícios de metais pesados.

Diante da gravidade, a Semad impôs novo embargo cautelar ao empreendimento e apreendeu cinco máquinas utilizadas na operação do lixão. Sem um plano imediato de contenção apresentado pela empresa, a secretaria e os demais órgãos do gabinete de crise executaram ações emergenciais para reduzir os impactos ambientais, mobilizando equipes em áreas de difícil acesso. Poucos dias depois do desabamento, um incêndio em parte do lixão exigiu operação de combate sob supervisão do Corpo de Bombeiros.

Em 7 de julho de 2025, a Semad reuniu representantes da Ouro Verde e dos órgãos envolvidos. A empresa informou que passaria a executar as medidas necessárias para reparação ambiental, e foi proposto um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com prazos, responsabilidades e metas. A Semad mantém acompanhamento permanente desde então e realizou cerca de 35 fiscalizações presenciais ao longo de 12 meses. A reincidência de irregularidades e atrasos resultou em três novos autos de infração. Somadas às penalidades anteriores, as multas aplicadas ao empreendimento alcançam aproximadamente R$ 56 milhões. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 17,1 milhões em bens dos proprietários.

Atualmente, o empreendimento segue interditado e proibido de receber novos resíduos. Segundo o gerente de Prevenção de Acidentes Ambientais da Semad, Sayro Reis, a gestão do chorume está em fase estável: as lagoas 2 e 4 operam com volumes inferiores a 50% da capacidade; a lagoa 3 também está abaixo desse limite e passa por manutenção no revestimento protetor. O principal ponto de atenção é a lagoa 5, que permanece com nível elevado, próximo ao limite. Os maciços de resíduos já foram cobertos e não há registro de odores fora do comum, proliferação significativa de vetores ou riscos iminentes de novos deslizamentos.

A próxima etapa é o encerramento definitivo do lixão. A Semad finaliza um Termo de Referência para orientar a elaboração, pela empresa, do Plano de Encerramento, que deverá ser aprovado pelo órgão ambiental. Entre as medidas a serem contempladas no plano, a secretaria indica diretrizes técnicas específicas. A expectativa é de que a recuperação completa da área exija acompanhamento por décadas, para garantir a estabilidade do terreno e prevenir novos impactos. A Ouro Verde formalizou o pedido de encerramento definitivo do lixão de Padre Bernardo.

Fonte: Agência Goiás

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