Rafael Câmara recebeu uma reprimenda dos comissários da FIA nesta sexta-feira, durante o segundo treino livre do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, em Interlagos. O piloto da Haas foi considerado responsável por atrapalhar Charles Leclerc na subida dos boxes, em um incidente que não provocou colisão, mas foi classificado como perigoso.
O episódio ocorreu no fim da volta, quando Leclerc vinha em volta rápida para melhorar seu tempo e encontrou Câmara, que estava mais lento, na trajetória ideal. Embora tenha sido avisado pela equipe sobre a aproximação da Ferrari, o brasileiro fez movimentos de zigue-zague e permaneceu na linha de corrida. Leclerc precisou desviar para a direita, com grande parte do carro saindo dos limites da pista, para evitar o choque.
Pelo rádio, o piloto da Ferrari demonstrou irritação com o susto. “Que p**** foi essa?”, afirmou. Após o treino, Câmara disse que ainda precisava rever as imagens para compreender o ocorrido. “É uma coisa que eu ainda preciso ver depois; eu pensei que ele ia ir pro lado direito, eu fui abrir pra ele passar e ele escolheu o mesmo lado que eu. Acho que ainda vou para os comissários, vou dar uma olhada boa e entender o que aconteceu, mas acho que não é nada. Claro que foi uma coisa que poderia ter sido grave, foi assim perto, mas foi tudo tranquilo”, declarou.
Segundo o documento da FIA, o carro de número 51 foi alertado diversas vezes sobre a aproximação do carro 16, que estava em volta rápida. Ainda de acordo com os comissários, Câmara realizou manobras de zigue-zague e se posicionou sobre a trajetória ideal, obrigando Leclerc a executar uma manobra evasiva para evitar uma colisão. A decisão concluiu que a situação foi claramente perigosa e que o brasileiro deveria ter agido com mais cautela.
A reprimenda registra oficialmente a infração, mas não gera punição imediata no grid. No sistema da Fórmula 1, as advertências são cumulativas: ao atingir cinco reprimendas em uma temporada, sendo pelo menos quatro por condutas em pista, o piloto recebe uma penalidade de dez posições no grid de largada. Esta foi a primeira anotação de Câmara no campeonato.
Aos 21 anos, o pernambucano faz neste fim de semana sua estreia na Fórmula 1 pela Haas, justamente em casa, no Autódromo de Interlagos. Ele foi chamado às pressas para assumir o carro que era de Esteban Ocon e participa dos treinos livres enquanto se adapta ao equipamento e aos procedimentos da categoria.
Nos treinos, Câmara terminou o primeiro em 18º lugar e o segundo em 16º, sempre atrás do companheiro de equipe, o inglês Oliver Bearman. Apesar dos resultados, avaliou o dia de forma positiva. “Foram bons treinos. O primeiro foi mais uma adaptação maior, muita coisa nova, entendendo o que fazer com o carro, me familiarizar com tudo. E o TL2 já foi fazer alguns ajustes, ir melhorando. Acho que esse é o objetivo do final de semana, ir evoluindo em cada sessão e estar cada vez mais confortável com o carro”, afirmou.
O piloto também comentou a emoção de estrear diante da torcida brasileira. “Também acho bem legal estar a primeira vez aqui em Interlagos, na frente da torcida inteira, é uma pista que tá sendo bem prazerosa de andar. Quando eu fui entrar ali no primeiro treino deu pra perceber o pessoal, a torcida gritando, então deu uma emoção a mais. Mas depois que começa é muita coisa pra ficar pensando, então fica uma coisa mais normal. Claro que em casa dá essa emoção a mais, mas quando tá ali na pista, realmente você tem que focar o máximo no que fazer, e só focar no que você consegue controlar”, disse.
O chefe da Haas, Ayao Komatsu, elogiou a postura do novato. Segundo ele, o desempenho de Câmara em um teste decisivo e as conversas realizadas nos últimos dias reforçaram a confiança da equipe para antecipar sua estreia. A escuderia também confirmou que o brasileiro continuará no carro na próxima etapa, em Las Vegas.
O Grande Prêmio do Brasil marca a primeira vez na década com dois brasileiros no grid da Fórmula 1: Câmara, pela Haas, e Gabriel Bortoleto, pela Audi. A estreia em casa, diante de arquibancadas cheias e com maior atenção da imprensa, aumenta a repercussão sobre cada movimento do piloto.
Câmara chegou à Fórmula 1 após passagem pelas categorias de base ligadas à Fórmula 2. Ele nunca havia corrido em Interlagos, já que os campeonatos anteriores não tinham uma etapa no Brasil. A Haas decidiu antecipar sua promoção para substituir Esteban Ocon e trata o piloto como uma aposta de médio prazo.
Embora seus tempos nos treinos livres ainda sejam modestos, a equipe avalia positivamente seu trabalho. Câmara mantém uma postura analítica e concentrada no aprendizado sessão a sessão. Ao comentar o incidente com Leclerc, também reconheceu que a situação poderia ter sido grave e que precisava rever as imagens. A equipe espera que a experiência contribua para sua adaptação e evite novas advertências ao longo da temporada.
Fonte: Miraí Broadcast