Como a “metronização” está mudando o trânsito e o transporte coletivo em Goiânia

Goiânia ampliou, desde 2025, as ações voltadas à mobilidade urbana, com investimentos em tecnologia, reorganização do tráfego, modernização do transporte coletivo, intervenções viárias e educação para o trânsito. Entre as principais medidas estão a conclusão da metronização dos corredores Leste-Oeste e Norte-Sul do BRT, a implantação do programa Direita Livre em mais de 110 cruzamentos, a criação de novos binários e a adoção de estratégias para melhorar a circulação em regiões consideradas estratégicas da capital.

A metronização foi desenvolvida para aumentar a fluidez do trânsito sem a necessidade de grandes obras. Por meio de inteligência artificial, o sistema prioriza a passagem dos ônibus e busca ampliar a velocidade dos veículos ao longo dos corredores. A experiência de Goiânia passou a ser apresentada em encontros sobre gestão pública e mobilidade urbana, colocando a cidade entre as referências em soluções aplicadas ao transporte coletivo.

Com a conclusão da metronização do BRT Norte-Sul, entregue em setembro de 2026, os dois principais eixos do transporte coletivo da capital passaram a contar com prioridade semafórica inteligente. O sistema abrange 17 quilômetros entre os terminais Isidória e Recanto do Bosque, com 58 cruzamentos monitorados, e reduziu em aproximadamente 13 minutos o tempo de viagem.

Somado ao corredor Leste-Oeste, o sistema alcança 31 quilômetros de operação com semáforos sincronizados, sensores e comunicação em tempo real com a central de controle. A tecnologia prioriza a passagem dos ônibus nos cruzamentos, reduz o número de paradas e amplia a previsibilidade dos deslocamentos. No eixo Leste-Oeste, a velocidade média dos coletivos passou de aproximadamente 16 km/h para mais de 21 km/h, um aumento superior a 31%.

A prioridade semafórica também diminuiu a quantidade de interrupções enfrentadas pelos ônibus. No corredor Leste-Oeste, a média de paradas nos cruzamentos caiu de mais de 30 para cerca de sete. Em determinados trechos, os veículos passaram a parar no máximo uma vez, enquanto a proporção de cruzamentos em que recebem sinal verde subiu de 52% para 90%.

A Prefeitura de Goiânia prevê expandir o modelo para outros corredores convencionais, com possibilidade de implantação em até 240 quilômetros de vias.

Onda Verde

Paralelamente à metronização, a Prefeitura ampliou a Onda Verde, sistema que coordena semáforos ao longo de corredores viários para criar sequências de sinais verdes e reduzir paradas desnecessárias. A medida beneficia o transporte coletivo e os veículos particulares, especialmente nos horários de pico.

A Onda Verde já foi implantada em avenidas como 85, Jamel Cecílio, 136, 24 de Outubro, Castelo Branco e Universitária. No corredor da Avenida 85, o tempo médio de deslocamento caiu cerca de 30% após a sincronização. O percurso entre o Setor Serrinha e a Praça Cívica, que antes podia durar até 25 minutos, passou a ser feito em aproximadamente 17 minutos.

Na Avenida Castelo Branco, a sincronização foi acompanhada de adequações geométricas e melhorias na sinalização, com redução de até 30% no tempo de viagem. No corredor formado pelas avenidas Jamel Cecílio e 136, que liga a BR-153 à Avenida 85, o tempo de percurso caiu pela metade. Motoristas que levavam cerca de 25 minutos passaram a completar o trajeto em 12 a 13 minutos.

Outras intervenções

A Direita Livre já foi implantada em mais de 110 cruzamentos. A medida permite a conversão à direita mesmo com o sinal vermelho, desde que exista sinalização específica. Os condutores devem observar a prioridade dos pedestres e as condições de segurança para a travessia.

Em junho de 2026, foi implantado o binário das avenidas T-10 e T-55, no Setor Bueno, com o objetivo de reorganizar os fluxos e distribuir melhor a circulação. Também foi adotada a Zona 50, que estabeleceu limite de velocidade de 50 km/h em vias da Região Central abrangidas pela Zona 40. A mudança foi apresentada como uma estratégia de segurança viária e de adequação da circulação ao perfil urbano dessas áreas.

Entre as intervenções realizadas estão a reconfiguração da Praça Ciro de Lisita e da Avenida Castelo Branco. O projeto incluiu a abertura de uma passagem pela praça, adequações semafóricas, implantação de sinalização e orientação do tráfego. Segundo a Prefeitura, a reorganização proporcionou ganho de até 30% na fluidez da região. Em setembro, também foi registrada a retirada de vagas de estacionamento para ampliar o espaço destinado à circulação.

Na ligação da Avenida Leste-Oeste com a Avenida Castelo Branco, foi liberado, em agosto, um acesso lateral acompanhado da instalação de um novo semáforo. A solução foi discutida tecnicamente com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO), considerando os impactos na circulação e na segurança viária.

Outra intervenção foi concluída no cruzamento da Rua 240 com a Avenida T-2, no Setor Coimbra. Finalizada em 27 de setembro, a obra retirou aproximadamente 14 metros de parte da ilha existente e removeu calotas que dificultavam a circulação. A mudança criou uma terceira faixa na Rua 240, incluindo uma faixa para conversão pela Direita Livre em direção à Avenida T-2, além de ampliar o espaço para a conversão simultânea à esquerda.

Na região do Hospital Estadual de Urgências de Goiás (Hugol), a Prefeitura realizou uma intervenção para melhorar a circulação e facilitar o acesso de ambulâncias. O projeto incluiu a retirada da rotatória, pavimentação, execução de meio-fio e implantação de uma nova via com aproximadamente um quilômetro ao lado do Parque Nova Esperança. A reconfiguração busca organizar os fluxos e ampliar a mobilidade no entorno do hospital e das áreas residenciais próximas.

As ações também abrangem a modernização da sinalização e o reforço do monitoramento em pontos considerados estratégicos. Entre janeiro e abril de 2026, foram implantados mais de 76 mil metros quadrados de sinalização viária. No mesmo período, 27 totens de monitoramento com cancelas automáticas foram instalados em áreas sujeitas a alagamentos. Os equipamentos permitem acompanhar as condições dos locais e restringir o acesso quando houver risco para a circulação de veículos e pedestres.

Nova frota

Em setembro de 2026, foram entregues 19 novos ônibus com tecnologia Euro 6 para integrar o transporte coletivo de Goiânia e da Região Metropolitana. A entrega faz parte do programa Nova RMTC, que prevê a renovação completa da frota até 2027.

Com os novos veículos, cerca de 60% da frota já foi renovada, incluindo os ônibus de maior porte que operam nos corredores BRT. Para dar continuidade à modernização do sistema, a Prefeitura de Goiânia prevê investimentos de aproximadamente R$ 300 milhões em 2026 e R$ 317 milhões em 2027.

De acordo com a Prefeitura, a renovação dos ônibus deve ampliar o conforto, a segurança e a qualidade do serviço oferecido aos passageiros. A administração municipal afirma que as medidas integram uma transformação do transporte coletivo de Goiânia e da Região Metropolitana, com a modernização da frota e a adoção de novas tecnologias.

Fonte: Prefeitura de Goiânia