Polícia fecha clínica clandestina em Aparecida e prende responsáveis

A Polícia Civil de Goiás, por meio do Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic) de Aparecida de Goiânia – 2ª DRP, em ação integrada com a Vigilância Sanitária Municipal e a Polícia Técnico-Científica de Goiás, deflagrou na quarta-feira (13/05) operação de fiscalização e repressão criminal que resultou no fechamento de uma clínica de reabilitação localizada no Jardim Buriti Sereno, em Aparecida de Goiânia.

Dois homens também foram presos em flagrante. Os policiais civis ainda apreenderam drogas, medicamentos de procedência irregular e instrumentos utilizados nas práticas criminosas. Os internos mantidos em condições subumanas foram libertados.

Durante a fiscalização, foram constatadas graves irregularidades no funcionamento da clínica, entre elas a ausência total de médico ou profissional de saúde habilitado nas dependências do estabelecimento, além da prática sistemática de torturas físicas e psicológicas contra os internos.

Conforme apurado, o coordenador da clínica submetia pacientes a estrangulamentos, torções de membros e ameaças constantes. Também foi identificada a prática de sedação forçada, com administração de substâncias sedativas sem qualquer consentimento, com o objetivo de conter e silenciar os internos. 

As investigações apontaram ainda a ocorrência de internações ilegais. A equipe também encontrou alimentos deteriorados, com presença de insetos e sinais de putrefação, impróprios para consumo humano, além de dormitórios superlotados e em condições insalubres.

No local, foram apreendidas porções de maconha e cocaína, encaminhadas para perícia; medicamentos psicotrópicos controlados sem prescrição médica, parte deles fora das embalagens originais e com procedência comprometida; seringas com agulhas usadas e lacradas sem identificação de origem ou prazo de validade; um cano de ferro de aproximadamente um metro e seis cordas de diferentes cores, objetos com potencial utilização em práticas de violência; além de quatro aparelhos celulares, encaminhados para perícia forense.

Um dos presos atuava como coordenador da clínica e foi apontado de forma unânime pelas vítimas como responsável direto pelas agressões físicas e pela administração forçada de sedativos. Segundo os relatos, ele circulava pelas dependências portando uma bolsa contendo drogas e medicamentos utilizados nos internos sem autorização.

Outro preso é o proprietário do estabelecimento apontado como mandante do esquema criminoso. Conforme levantamento policial, ele já teve outras clínicas interditadas em Aparecida de Goiânia e possui histórico de investigações e indiciamentos por maus-tratos, tortura e cárcere privado.

Em um dos episódios anteriores, um interno morreu após dar entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento com diversos hematomas pelo corpo. Após cada interdição, o investigado abria um novo estabelecimento.

Os presos responderão pelos crimes de tortura, sequestro e cárcere privado qualificado, adulteração de produto terapêutico de procedência ignorada, tráfico de drogas e crimes contra as relações de consumo.