Barcelona: o que fazer com tanto dinheiro mas sem Neymar?

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Com 222 milhões de euros nos cofres pela venda de Neymar ao PSG, o Barcelona pensa agora no que fazer com a bolada antes do dia 31 de agosto, quando a janela de transferências se fecha, e sem um dos pilares do tridente ofensivo “MSN”.

Apesar de ainda contar com o argentino Lionel Messi e o uruguaio Luis Suárez, a direção catalã está pressionada e com pouca margem para reagir à perda de um dos principais jogadores do time

A AFP esportes analisa o que o Barça vai precisar fazer para ganhar terreno na concorrência com o atual bicampeão da Europa, o grande rival Real Madrid.

– Evitar crise pós-Figo –

A ausência de Neymar vai afetar o jogo, mas também é um golpe psicológico: ver um dos principais jogadores sair para uma liga inferior dói no orgulho do clube e rememora lembranças de épocas passadas.

Os catalães costumavam sofrer para manter suas estrelas, especialmente quando o Real Madrid batia na porta. Luis Milla, Michael Laudrup e o sempre lembrado Luis Figo trocaram o azul-grená pela camisa merengue.

Quando Figo deixou o Barça, foi em situação parecida com a de Neymar. Em 2000, o Real pagou cláusula de rescisão recorde e afundou os catalães, no campo e no palco. O dinheiro que entrou foi mal reinvestido e o Barcelona não ganhou nenhum troféu em cinco anos.

Foi quando chegaram Ronaldinho, Messi e uma geração de talentos formados em casa, que impulsionaram o Barça para sua época de ouro. Foram oito títulos da Liga e quatro Liga dos Campeões, em 12 anos.

Desde a saída de Figo, o Barça se transformou em uma marca global e em um dos clubes mais ricos do mundo. Além disso, tem Messi, que precisa evitar que a crise formada pela saída do português se repita.

– Gastar com inteligência –

O maior desafio para o presidente Josep Maria Bartomeu é saber como investir nas próximas quatro semanas, especialmente depois de dois anos marcados por contratações ruins, como André Gomes, Paco Alcácer e Arda Turan.

A torcida quer um substituto de luxo para Neymar e sonha com os nomes que aparecem na imprensa: o braileiro Phillippe Coutinho, Ousmane Dembele, Paulo Dybala e Kylian Mbappe.

Mas a missão de encontrar um jogador à altura parece quase impossível, ainda mais pelo valor astronômico que envolveu a operação do PSG.

Diante do mercado altamente inflacionado, o Barça pode apostar em opção a longo prazo, economizando dinheiro para não terminar com um elenco pior e na mesma situação financeira anterior à operação Neymar.

– Oportunidade aos jovens –

O mais preocupante para o futuro do Barça é que “Ney” se despediu no auge, com 25 anos, e deixando o elenco envelhecido.

Messi e Suárez tem 30 anos, assim como o líder Gerard Piqué. O capitão Andrés Iniesta tem 33 e seu contrato vai só até o fim da temporada.

A principal crítica ao Barcelona após a saída de Pep Guardiola, em 2012, é que as jovens promessas da famosa academia de La Masia não tiveram oportunidades no clube, focado em contratar estrelas como Suárez e Neymar.

“O Barça dormiu”, comentou a lenda azul-grená Xavi Hernández à revista Tactical Room, no mês passado. “É preciso fortalecer as categorias de base”, acrescentou.

Precisando de sangue novo, o Barça poderia apostar na academia que formou estrelas como Messi, Xavi, Iniesta, Piqué e Sergio Busquets.

– Equilibrar –

Na sua despedida, Neymar disse que formou “um ataque com Messi e Suárez que entrou para a história. Conquistei tudo o que um jogador pode almejar”.

Durante os últimos três anos, o tridente “MSN” formou um dos melhores ataques já visto. Em 110 jogos juntos, marcaram 228 gols.

Por concentrar o jogo no talento destes três jogadores, o Barcelona deixou de prestar atenção em outras partes do campo, especialmente no meio, que foi a pérola dos anos gloriosos de Guardiola.

A “MSN” se dissolve, mas se o Barça utilizar esse dinheiro para construir um meio de campo que acenda a chama de Messi e Suárez, ainda vai ser um dos elencos mas temidos da Liga e da Champions.

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